Review - You're Not Alone

3:47 PM Lorena Miyuki 2 Comentários



Diretor: Ernst Johansen e Lasse Nielsen
Idioma: dinamarquês
Gênero: romance
Sinopse: Boo está entediado e resolve mudar de escola durante o verão, e é aí que começa a descoberta da sexualidade entre os garotos de um colégio interno.



"You're not Alone" tem uma proposta bastante democrática: mostrar para os pais que seus filhos não são santos; aos diretores e professores, que eles também cometem erros; aos adolescentes, que o mundo não é somente deles; e, por fim, aos jovens meninos que se sentem atraídos por colegas de sala, amigos e que estão na fase de "descobertas", que eles não estão sozinhos. Pelo menos é essa a idéia que se fala, mas, justamente por serem tantas "idéias" juntas, fica tudo perdido no meio do caminho - exceto, talvez, a última.

A trama mostra Boo, um garoto adolescente que resolve estudar em um colégio interno num pequeno vilarejo, longe da vida cotidiana. Antes de se internar, ele conta com a experiência de estar apaixonado por seu ex-melhor amigo. Essa primeira idéia só é mostrada nos três~cinco minutos iniciais e, depois, explicada pelo próprio protagonista.

O colégio masculino é o palco principal. Pelo que dá para inferir, há estudante de seus doze aos dezessete anos, e não são muitos, portanto a maioria deles faz aula em conjunto, sendo as de matérias regulares (física, química, etc.) em separado.

Como estamos falando de um colégio interno, é de se esperar que tenhamos bagunças, brigas, aventuras e esse tipo de coisa. De fato a história começa quando imagens pornográficas são espalhadas pelos alunos nos banheiros e nos quartos, numa espécie de manifestação contra a opressão que o tal diretor lhes opõe. Os mais velhos roubam as cenas engraçadas. Nesse meio, Boo acaba indo parar no grupinho de alunos que adoram falar sobre sexo - alias, esse tema é, na verdade, tudo o que todos gostam de falar dentro do colégio.

Mais a frente somos apresentados ao garotinho loiro e, de início, ingênuo chamado Kim. Ele sente uma afinidade imediata com Boo e está sempre grudado nele, vendo o mais velho como um exemplo. Boo, de fato, o é (se o compararmos ao resto dos meninos), mas o problema é que Kim é filho do diretor e tem de obedecer às loucuras de seu pai. Kim é bem mais novo que Boo - eles não mencionam a idade, mas aparentemente ele deve ter em torno dos onze anos, enquanto Boo deve ter quatorze, quinze no máximo. Os dois protagonizam as cenas mais fofas do filme todo, em meio aos esconderijos da floresta, nos piqueniques que os amigos realizam, nas caminhadas de bicicleta e, mais tarde, com Kim fugindo de casa para ficar com Boo no colégio.

A história mostra a visão dos adolescentes em relação a tirania do diretor e a visão dos professores sobre os variados assuntos que normalmente permeiam as discussões dos mais jovens: amizades, sexo, drogas (alcool, no caso) e o futuro. É ousado para a época (foi filmado em 1978) e  ficou famoso por causa de uma cena entre Boo e Kim, na qual eles tomam banho no chuveiro da escola e comparam seus órgãos sexuais.

O filme, considerado hoje um ícone cult, teria tudo para ser bastante bom, principalmente considerando que ele foi gravado em 1978 e os garotos são bem naturais nas cenas e bastante chamativos, digamos. Porém as idéias, como comentei, se perdem. O final é horroroso! Na verdade, NÃO HÁ um final para o filme: o que pretendia ser um dos melhores desfechos simplesmente ficou perdido, literalmente! Se alguém viu - ou for ver - saberá do que estou falando: a idéia era ótima, mas, creio, como já estavam mostrando "coisas demais" num filme conservador (que mostra muito a visão católica e família das coisas), "tiveram" que simplesmente parar de filmar. Aí os créditos entram e você fica se perguntando: "tá, mas cadê o final??". É simplesmente frustrante.

Sinceramente, o tema me agrada demais. Colégios internos dão margem para muitas histórias e tramas, e foi muito mal explorado no roteiro. Além do mais, as coisas acabam sem explicação alguma; não só o término do filme, mas muitas cenas. O começo também é confuso, pois a passagem de cenas e de tempo não é suave nem linear. Você acaba tendo que imaginar mais coisas do que deveria, e isso, com certeza, não é legal. Dou créditos por ter sido feito há 33 anos, e realmente merece a ousadia.

Kim e Boo

Lasse Nielsen, como Kim

2 comentários:

  1. Eu gostei da relação entre o Bo e o Kim, mas confesso que fiquei perdido na maior parte do filme. Como citado no review, vale pela ousadia (e pela trilha sonora), apesar de alguns erros e alguns buracos. Lorena, se me permite, eu gostaria de sugerir o filme colorido "Beautiful Thing" ("Delicada Atração", em português), que considero um dos meus favoritos do gênero. Parabéns pelo blog ;)

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    Respostas
    1. Oi, Narniano (?)! :)
      Fico feliz que tenha gostado das resenhas!
      Eu já assistir a Beuatiful Thing, inclusive tem resenha dele aqui em algum lugar hahah não tô encontrando, mas tá aqui, tenho (quase) certeza! É um dos que mais gosto também, mas meu preferido sempre vai ser The Love of Siam (resenha aqui:http://www.marcadocomletras.com/2011/04/review-love-of-siam.html )
      ;)

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