Review - Romeos

12:30 PM Lorena Miyuki 0 Comentários



Diretor: Sabine Bernardi
Idioma: Alemão
Gênero: Drama

Sinopse: Um drama que envolve a história de Lukas, um garoto transgênero de 20 anos, e seu envolvimento com um dos homens mais másculos da cidade, Fábio.


O filme é de 2011.






Sinopse horrível, desculpem, mas não consigo resumir a trama de outra maneira e essa é a sinopse "oficial".

De qualquer forma, a história é sobre Lukas, que nasceu Miriam, um garoto transgênero que nasceu no corpo de uma menina e sofre o tempo todo por causa disso. Boa parte da trama é centrada no seu drama pessoal, nas suas experiências durante a transformação que ele finalmente resolveu fazer: a da cirurgia que transformará seu corpo. Essa é a parte que mais me chamou atenção no filme todo. O drama, eu quero dizer.

Lukas parece fazer parte de uma comunidade na internet em que conta experiências para outros transgêneros e funciona como se fosse um grupo de apoio, cada um contando alguma coisa, tentando achar um suporte fora do ambiente onde vivem. Há diversas histórias paralelas sobre outros garotos e algumas bem tristes que relatam a nossa realidade - espancamentos, expulsões de casa, casos de suicídio, etc. São momentos muito pesados e muito angustiantes, ver os relatos dos outros personagens que nem aparecem na trama. Se aparecessem, acho que rolaria um balde de lágrimas a cada cena...

Mas o propósito do filme é focado em Lukas e começa com sua mudança para Cologne, uma cidade na Alemanha onde ele (aparentemente) vai cumprir seu serviço militar. Isso não é explicado, mas estou inferindo, já que Lukas é alocado num dormitório feminino para moças que estão "trabalhando no serviço de enfermagem do exército". E o drama já começa aí, já que o diretor do dormitório não permitiu que Lukas ficasse no masculino, pois seus documentos ainda mostram que ele é, fisicamente, uma garota, e seu nome de batismo ainda é Miriam. Então Lukas acaba sendo o único garoto no meio das meninas do dormitório - ele já toma hormônios, sua aparência é bastante masculina, então ninguém sabe sobre sua real identidade, a não ser sua melhor amiga de infância, Ine, que também está no dormitório. Ela é responsável por apresentá-lo à vida gay na Cologne e é outra personagem com dramas a parte, já que ela também é lésbica.

Nesse meio tempo, Lukas se torna mais e mais interessado num garoto do local chamado Fabio, que exala testosterona. Ele é amigo de Ine e parece conhecer todo mundo, aquele tipo de personagem que é amigo de todos, conversa e interage amigavelmente em todos os ambientes e com todas as pessoas ao seu redor. O tipo de personagem que me dá nos nervos, aliás, porque Fabio é a indecisão em pessoa. Na medida em que os dois, ele e Lukas, vão se envolvendo, as coisas vão se complicando ainda mais, pois Lukas não sabe como contar a ele que é trans. E Fabio deixa claro, depois de um tempo, que não está interessado "nesse tipo" de coisa e começa até a fazer piada com os amigos.

Bom, isso é o contexto. As entrelinhas e as nuances do filme são o espetáculo que a gente realmente está aqui para ver e, bom, vejam. Não há maneira de explicar melhor o drama de Lukas se não mostrá-lo. Esse filme me marcou muito, junto com XXY, que fiz resenha aqui também, pela história singular. Não conheço muitos filmes que tratam transgêneros com tanto "esforço" digamos, e de uma maneira tocante e, de certa forma, bastante verídica sem deixar de ser romântica. O filme foi muito criticado por não ter, de fato, usado atores transgêneros no elenco, já que a ideia era transportar para a tela o sofrimento dessas pessoas, mas passado o tempo acho que a gente sabe o motivo disso não ter realmente acontecido, né? Preconceito está em todo lugar.

Enfim, o final é tocante, muito bonito. Dá aquela sensação de esperança, sabe? De imaginar que nem tudo está perdido nesse mundo! Gostei muito da mensagem, dos atores, e até do cenário obscuro em que se passam a maioria das cenas. Recomendadíssimo.








A película foi inicialmente rodada em 2007 e ganhou o Best Treatment Cologne Screenplay Prize no mesmo ano, sendo relançada nacional e internacionalmente em 2011.

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