Review - Watercolors

12:10 PM Lorena Miyuki 1 Comentários


Diretor: David Oliveras
Idioma: inglês
Gênero: drama coming-of-age

Sinopse: Um garoto envergonhado, nerd e ainda no armário, Danny é um artista promissor que é forçado a uma amizade inesperada com um dos garotos campeões da natação do colégio, Carter, quando as circunstâncias de suas famílias os colocam juntos por uma noite. As consequências dessa noite são inimagináveis para ambos. 
O filme é de 2008.


Watercolors é no estilo "vai e vem". Começa no futuro e a história é contada da perspectiva de Danny, um artista já consagrado em sua galeria e envolto em fantasmas do passado. No entanto, com o desenrolar do filme, a perspectiva é deixada de lado e somos apresentados a diversos fatos e detalhes que o próprio Danny não conheceu - ou, se conheceu, foi muito tempo depois.

De qualquer forma, quando adolescente, Danny teve de abrigar em casa o filho de um dos amigos da mãe, Carter, um garoto rebelde e problemático, que se dá mal nos estudos mas é brilhantemente aceito no time de natação do colégio. Ele é o exemplo de "bad boy" e "masculinidade" da cidade (?) e tem um passado sombrio, já que ele e o pai vivem viajando de um lugar pra outro por conta dos problemas da família. O pai, e a mãe de Danny também, são alcoólatras e se conhecem nas reuniões do AA. É assim que surge a primeira identificação dos dois garotos.

Carter, entretanto, é só confusão - interna e externamente. Ele parece muito cheio de si, confiante e galante, mas no fundo morre de insegurança porque precisa de ajuda na escola. Se ele não tirar notas boas, não poderá nadar. E nadar é sua grande, eterna e talvez única paixão. Danny é pintor, desenhista, o melhor aluno de todas as aulas que frequenta, e se oferece gentilmente para ajudar Carter nos estudos - ou, melhor dizendo, estudando pra ele, fazendo os trabalhos pra ele e se fazendo de trouxa (mas quem nunca fez isso por uma paixonite, certo?).

Os encontros dos dois vão revelando um pouquinho de cada personalidade. Carter, além de impulsivo, é extremamente curioso e não se importa em mostrar esse lado. Ele se enerva com Danny porque o garoto tem medo de se expor e aí começam pequenos "joguinhos" (talvez não-intencionais, mas foi essa a forma que enxerguei as atitudes) nos quais Carter tenta deliberadamente fazer o artista se soltar e mostrar quem ele é verdadeiramente. Quando isso acontece, porém, Carter se vê envolvido com ele de uma forma que não esperava que estivesse, e é Danny quem sofre (física e emocionalmente) com isso.

O filme é muito dramático. Muito mesmo. Mas acho que tudo teve seu propósito, afinal, cada cena é como se fosse uma tela de pintura na mente do Danny. Tem cores vivas demais às vezes, muita sombra em outros casos, e tudo muito à flor da pele. Carter é um personagem problemático, mas o típico "romântico às avessas" que faz a gente se apaixonar por ele. Danny é frágil, desajeitado, e sua mãe e amizades não o ajudam em nada. Ele é recluso ainda mais por causa delas.


A frase de entrada da trama é de um poema do Pablo Neruda: "Love is so short and forgetting is so long" (o amor é tão curto e o perdão é tão longo, TL) e depois temos "Only art can turn pain into beauty" (somente a arte pode transformar a dor em beleza, numa tradução livre novamente) e ambas as frases refletem exatamente o enredo inteiro do filme. De novo, como costumo mencionar em várias das minhas resenhas, eu odeio clichês em filmes gays. Muito, muito mesmo! E de novo, infelizmente Watercolors traz um MONTE deles. Assim, praticamente a cada cena! Fiquei me remoendo de nervoso na cena do quarto do Danny na chuva (eu só me perguntava: "WTF!!!?" escandalosamente) e achei que boa parte do filme foi bastante exagerada.

O final não me surpreendeu, já que desde o começo a gente já imagina como vai terminar. É bonitinho, entretanto, com uma combinação de perturbação e amor incondicional. Afinal, "as memórias de um primeiro amor podem ser tóxicas" e durar anos e anos de maneira nada saudável.

Tudo isso pode ser ainda expresso numa pintura em aquarela; bonita, mas terrivelmente dolorosa.
Sabe a resenha de Floating Skyscrapers que fiz há pouco tempo? Então, acho que Watercolors é a versão adolescente desse filme. Fiquem avisados.

Trailer:



Um comentário:

  1. Eu assisti recentemente e não gostei. Concordo com a maioria dos pontos positivos que você listou, mas os pontos negativos foram mais decisivos na minha avaliação. Não sei, só lembro que me senti "fora" de toda a trama; o filme não "me puxou para dentro". De qualquer forma, parabéns pelo review maravilhoso! :)

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...