Review - O Oceano No Fim Do Caminho

7:19 PM Lorena Miyuki 2 Comentários


Título: O Oceano no fim do Caminho
Autor: Neil Gaiman
Idioma: Português/Inglês.
Primeira publicação: 2013.
181 páginas (inglês) | 208 em português



Há um mês, mais ou menos, aconteceu aqui a segunda edição da Turnê Intrínseca e eu tive a oportunidade de participar. Fui pra conhecer mesmo, ver os lançamentos e, claro, não vou mentir: ver/ganhar brindes. Passei o tempo todo cobiçando o "kit" que eu mais queria, pensando o tempo todo: "vai ser meu, vai ser meu, vai ser..."... e, olha, não é que foi??

Foi o último sorteio antes de sortear o "passaporte Intrínseca" (uma versão da maleta da primeira versão da turnê, na qual quem ganhasse tinha o direito de levar pra casa todos os livros que estavam dentro mais 2 à escolha).

O livro foi bem (e rapidamente) traduzido, a diagramação está ótima e a capa é a original, que tem uma ligação muito íntima com a trama em si.

Enfim, como não podia esperar mais, fui pra casa quase chorando de felicidade, terminei de ler o livro que tava "na fila" antes e comecei essa maravilha chamada "O Oceano no fim do Caminho", de Neil Gaiman.

Os brindes que ganhei na Turnê.
O kit continha o livro e uma pasta de gel colorido simbolizando o oceano.

Quem não conhece Neil Gaiman? Por favor, para alguns minutos da sua vida para ler as obras desse homem. Dêem uma pesquisada, ele escreveu diversas coisas famosas, dentre as quais "Sandman" costuma ser seu trabalho mais elogiado/conhecido. E confesso que nunca li "Sandman" por ter um certo trauma com "livros que todo mundo gosta" (?) (não tentem entender), mas do que conheço do Gaiman, ele merce muito destaque para outras coisas também. "Deuses Americanos", por favor! "Coisas Frágeis" e "Stardust" são lindos! Sem falar em "Coraline". Convenhamos: há muita bagagem aí a ser explorada e, por favor, não perca tempo.

"O Oceano" está sendo aclamado como o primeiro livro do autor para adultos desde 2005, quando ele publicou “Os Filhos de Anansi”. Gaiman passou oito anos, oito anos escrevendo/pesquisando/matutando esse livro. Não podia ter saído nada diferente do que saiu: uma obra-prima.

A escrita de Neil é muito simples, mas cheia de floreios, ainda que não dificultem a leitura. É agradável, saborosa, palpável. Sabe? Não te cansa. Nesse livro, Gaiman consegue colocar tudo num lugar só: fantasia com realidade, com infância, nostalgia, com "coisas pesadas", com medos, traumas, pavores, felicidade, ilusão, sombras, luz... Enfim. Palavras e sentimentos que se completam e que se opõem, o que é uma de suas características. A meu ver, todas as suas obras são muito densas, cheias de referências e entrelinhas, mas que não dificultam entendimento algum e nem desestimulam o leitor. Atualmente estou lendo "Lugar Nenhum" dele e, assim como "Deuses Americanos", há muito mais do que os olhos conseguem ler.

N"O Oceano" também é assim. Tudo, do bom e do ruim, foi incorporado na forma de um mini-romance espetacular e maravilhoso pelas mãos desse talentoso reverenciado autor. Já deu pra perceber que sou fã, né?

Em suma, o livro fala da infância relembrada aos olhos de um adulto que já viveu demais, mas ainda não sabe se valeu a pena. Uma escrita narrativa que embala e seduz e que não te deixa hora nenhuma parar para respirar - o que, com toda certeza do mundo, é ótimo! Uma série de frases, metáforas e palavras encantadas que fazem a gente ficar se perguntando se para o narrador realmente valeu a pena, porque perguntar para nós mesmos se valeu a pena pelo menos esperar pra ler essa obra-prima é algo impraticável. O interessante é que não sabemos exatamente quem é este adulto. Não há nenhum nome, sobrenome, nada que o identifique na história a não ser como "o narrador". Tirem o chapéu para o cara que escreveu um livro sem precisar citar o nome do personagem principal. Muito se falou sobre o livro ser em parte uma auto-biografia, mas nos agradecimentos Neil explica alguns detalhes (que valem a pena serem lidos) que nos deixam em dúvida. A dedicatória é para sua mulher, "que queria saber", ele escreve, e ela, Amanda Palmer, fez um post dedicado ao assunto e contando o quanto Neil se mistura à sua escrita, principalmente nesse livro.

Assim como Amanda, eu também me misturei ao turbilhão de coisas que existem nessa pequena, mas gigante história. Confesso sem pudor que chorei também em algumas partes, mas não pelo que estava escrito, mas pela sensação despertada. Sabe? É uma leitura obrigatória, uma enxurrada de sentimentos que vai, quase que literalmente te consumir, te envolver e te devorar.

Não o contrário: acredite, esse livro vai te devorar. Sem mais.

2 comentários:

  1. Você recomenda este livro como a primeira leitura em inglês para alguém? Estou no nível avançado e quero muito ler esse livro, mas queria por em prática meu inglês também :)
    Obrigada pela resenha, parece ser um livro encantador.

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    Respostas
    1. Obrigada pelo comentário, Lana!
      Eu não cheguei a ler esse livro em inglês, só dei uma folheada nele, mas acredito que a escrita do Neil não seja muito aconselhada para quem já não tem uma boa, BOA vivência no idioma. Ele é cheio de floreios e figuras de linguagem que dão nó na cabeça até em português!
      Case se interesse, tenho dicas de outros livros aqui no site que podem te agradar (ou não :P) e que são mais simples e prazerosos!
      Qualquer coisa é só chamar!

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