Review - Carry On


Resenha do livro da Rainbow Rowell, Carry On, que em breve será publicado no Brasil.




Título: Carry On
Autor: Rainbow Rowell
Idioma: inglês (original) (previsão de publicação no Brasil para 2016)
Primeira publicação: 2015. Será lançado por aqui pela Novo Século.

Sinopse: Simon Snow é o pior Escolhido que já foi escolhido. Isso é o que seu colega de quarto, Baz, diz. E Baz pode ser mau e um vampiro e desagradável, mas ele provavelmente está certo. Na metade do tempo, Simon não consegue nem fazer sua varinha funcionar; na outra metade, ele coloca fogo em alguma coisa. É o último ano deles na Watfod
School of Magicks, e o nêmesis furioso de Simon nem se importou em aparecer.

"Carry On - The Rise and Fall of Simon Snow" é uma história de fantasmas, amor e mistério. Tem tantos beijos e conversas quanto você esperaria de algo da Rainbow Rowell - mas mais, muito mais monstros (tradução livre - pode não ser a sinopse oficial)


Primeiro, eu quero dizer que eu esperava por esse lançamento desde que, bem, ele foi anunciado. Pra quem não sabe, a história surgiu como um spin-off de um outro livro da autora, o Fangirl, e acabou tomando proporções maiores. Mas eu estava ansiosa não porque as partes de Carry On de Fangirl tinham me animado - na verdade, eu não gostava das interrupções na história da Cath para falar sobre a do Simon, sinceramente. Mas aí tinha Simon e Baz. E obviamente foi isso que me cativou, digamos.
Segundo, quero deixar claro que: mesmo você não gostando das partes de Simon Snow em Fangirl, LEIAM Carry On, porque é completamente diferente.
Terceiro: essa não é a fanfic da Cath, é a história "original", por assim dizer.

Carry On vem, através (inicialmente) da voz do Simon, contar a história dele e dos amigos dele no mundo de magos e Normais, numa óbvia referência aos bruxos e trouxas de Harry Potter. Pra quem não leu Fangirl - e não precisa ter lido para entender/gostar/amar Carry On -, a história era para ser uma paródia (?) de Harry Potter sim, com todos os elementos mais umas pitadinhas de fanservice e tudo mais. Mas acabou saindo diferente, e num ótimo sentido!

Simon é "O Escolhido", o mago que nasceu profetizado para acabar com uma guerra, e que cresceu entre pessoas normais e foi descoberto, aos 11 anos, pelo diretor/responsável pelo universo mágico que coexiste no mundo dos meros mortais. Isso soa familiar, né?

Simon tem uma melhor amiga, Penelope (Penny), que é a maga mais inteligente da sala, super esperta, adora investigar e está sempre corrigindo os outros (soa familiar também??). Simon conta com a ajuda também da sua namorada, Agatha, que é metade pixie, metade maga, e que tem medo de tudo, inclusive de falar o que pensa (mais coincidência??).

Simon está tendo problemas com Agatha, porque os dois não concordam com muita coisa, e a mocinha foi pega num momento íntimo, digamos, com o nêmesis do nosso protagonista: Tyrannus Basilton Pitch, ou só Baz, o meio-vampiro (não declarado) que divide o quarto com Simon.

Simon praticamente vive (e viveu seus seis anos anteriores, sim) para descobrir as falcatruas e planos "malignos" de Baz, mas seu mundo meio que sai dos eixos quando o mago-vampiro misteriosamente não aparece para o início das aulas da Watford, a escola de magia onde todos eles estudam.
E é aí que a história toma um rumo diferente.

Confesso que, no comecinho, nos 15% iniciais da leitura, eu fiquei realmente desapontada por se parecer demais com um "Harry Potter às avessas", incluindo aí na linguagem britanizada meio forçada (convenhamos). Cheguei a comentar isso até, mas exatamente depois que a frase saiu, a trama ganhou outro rumo com a adição de novos elementos e seus próprios mistérios e personagens originais: o Véu entre os mundos (parte essencial do enredo), Nicodemus, os vampiros, a família Pitch, o Humdrum (o pseudo-"Voldemort")... e o mistério que é o Baz.

Apesar de começar com o Simon, os capítulos vão se intercalando entre os personagens, entre passado e presente. Todas as vozes são devidamente ouvidas, o que é maravilhoso para captar os detalhes! E também para perceber que a gente vai e volta no livro para desvendar as lacunas, sabe? Do tipo: "nossa, já ouvi isso antes *volta para reler o capítulo do personagem tal* AH! acho que entendi!".

Além disso, o livro meio que "compila" outros quatro (é assim que ele é dividido, Book 1, 2... e o Epílogo), contando com uma arte de abertura de cada um que sumariza o texto. A arte é linda e, por ter lido em e-book, fiquei morrendo de vontade de ter a versão física só por causa das ilustrações (inclusive já estou providenciando. Dólar, favor abaixar)! Espero que mantenham tudo direitinho quando a versão nacional for lançada!

É interessante destacar como a Rainbow conseguiu construir um universo próprio, mesmo pegando alguns elementos emprestado. Watford não é Hogwarts, os magos não são bruxos, e o Insidious Humdrum  (realmente, que nome é esse?!) não é Voldemort. Os feitiços merecem uns aplausos à parte: GENTE, QUE GENIALIDADE dessa mulher pra criar os feitiços!! Fora que há toda uma explicação por trás da linguagem, o que mostra o cuidado dela com cada nuance! A maioria é de ditados populares, pedaços de canções, etc., mas há elementos da cultura pop e outras coisas mais - o meu preferido, além de Carry On, foi o "Have a Break, Have a KitKat" por motivos óbvios HAHAH.
Simon e Baz na arte da Noelle, que tem na capa da versão hardcover de Fangirl
As coisas vão ficando mais originais a cada página e a leitura vai te prendendo do mesmo jeito que HP te prende - ou até mais, eu diria! Porque, pra mim, que já não tenho tanta paciência nem ingenuidade de quando li HP (aos 12~13 anos), o que me faltava lá foi preenchido aqui: ao mesmo tempo em que há mistério, há aventura, há romance, há muita emoção (e bota emoção nisso). E há o que me cativou em Fangirl, que é, como não poderia deixar de ser: Simon e Baz.

Gente. Como eu shippei Simon e Baz. Através da Cath, eu achava que era uma coisa super ficcional mesmo, coisa de fangirl (hêhê, né), mas em Carry On o negócio é REAL. E o quanto isso foi decisivo pra me fazer devorar o livro mais rápido, não tenho nem ideia para mensurar!!

Baz é um personagem maravilhoso, super bem construído, com sua própria elegância (não me lembra, por exemplo, a do Malfoy) e seus próprios segredos. Achei que a Agatha fosse ser um problema, mas a menina cumpriu muito bem seu "papel" no enredo - e dá pra gente perceber como a Rainbow cuidou da trama de verdade: o destino e o pano de fundo de cada um dos personagens foi muito bem traçado e executado, sem deixar pontas (muito) soltas por aí.

Carry On pode ter começado como uma fanfic, mas o trabalho da autora para se distanciar disso pode ser percebido, e eu acho que ela conseguiu com relativo sucesso. Não digo total sucesso porque, bem, dá pra notar que é uma história que muita gente gostaria de ter lido lá em Harry Potter. E foi algo que a própria Rainbow disse, que colocou no papel o destino que ela gostaria de dar aos personagens que ela criou em Fangirl, assim, meio do nada.

Algumas coisas me incomodaram, sim, na leitura. E vou tentar não dar spoilers, mas pode ser que tenha um pouquinho no parágrafo seguinte... Selecione o texto para ler por sua própria conta e risco.
Uma delas foi o fato do Simon ficar se questionando o tempo todo se é gay. Tudo bem, há uma certa hora que ele diz (não com essas palavras, né) "foda-se, deixa isso pra lá", mas é irritante que ainda tenhamos que ler esse tipo de "reflexão", que eu acho desnecessária: "será que sou gay porque beijei um cara? Mas eu tinha uma namorada!". Gente, e ser bi não pode?? Hora nenhuma isso passou pela cabeça do personagem (e talvez nem da autora). Isso me deixou com raivinha sim, vou confessar.
E o negócio da calda também foi meio desnecessário; achei um tiquinho bizarro.
Achei que o Humdrum foi pouco explorado, apesar de ser o pano de fundo frequente e tal. O livro ficou enorme (tem mais de 400 páginas), eu sei, mas por que não fazer mais de um? (aquelas esperando continuação)
Também notei que o finalzinho se arrastou mais do que deveria, talvez, mas não tenho muito do que reclamar. O desfecho foi ótimo! Aberto e fechado na medida certa. Mas o que aconteceu com o Nico??
meu fanart do Baz que fiz pro inktober num momento de fangirlismo agudo
Enfim.

Apesar disso, Carry On entrou pra listas dos meus favoritos por ter tudo o que eu gosto: fantasia, aventura, mistério e romance na medida certa. Eu sinceramente espero que façam uma boa tradução, porque muita coisa vai depender disso, de como transpor os detalhes para o português. Não cheguei a ler a edição nacional de Fangirl  e não sei como as partes de Simon Snow ficaram por lá, então não posso palpitar.

De qualquer forma, em português ou no original, LEIAM CARRY ON. Ele merece toda a sua atenção!

Estou apaixonada até agora.

2 comentários:

  1. Aiiii! Só aumentou minha vontade de ler agora! Interessante saber que não é a fanfic da Cath, pois pelo nome do livro (era o nome da fanfic né?) eu imaginei que fosse. Espero que a Novo Século faça um bom trabalho na edição nacional! Amei a resenha, Lorena! <3

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    1. O livro é a história original de onde ela tirou a fanfic (ou "original", já que ela foi modificada, eu acho, com base na fanfic hahaha deu pra entender?)
      Leia, acho que você vai gostar!

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