Review - Juste Une Question D'Amour


Diretor: Christian Faure
Idioma: francês (legendas disponíveis)
Gênero: drama, romance
Sinopse: O filme acompanha o romance de dois homens, Laurent (interpretado por Cyrille Thouvenin) e Cédric (interpretado por Stéphan Guérin-Tillié), que enfrentam dificuldades movidas pela revelação da homossexualidade de Laurent aos pais.


O filme foi lançado em 26 de Janeiro de 2000 e no Brasil pode ser encontrado pelo título "Apenas Uma Questão de Amor".




O espectador acompanha boa parte da visão de Laurent dos acontecimentos. Um jovem de "família tradicional", já é visto como "decepcionante" por não seguir a profissão do pai (farmacêutico) e ter escolhido uma faculdade de agronomia. Por sorte, Laurent tem uma melhor amiga, Carole, com quem divide tudo, inclusive o fardo de ter que aguentar as pressões da família, pois todos acham que os dois são um casal. Os pais o tiveram já em idade avançada, então a mãe  insinua que Laurent e Carole tenham filhos rápido, sonhando com uma casa cheia de netos principalmente depois que o sobrinho, Marc, faleceu.

Marc e Laurent eram melhores amigos e "se descobriram" homossexuais quase na mesma época - a diferença entre os dois foi que Marc assumiu sua sexualidade perante toda a família e sociedade, ao passo que Laurent a esconde à sete chaves. O ponto de partida da trama toda é a morte de Marc, que acontece por hepatite, mas que a família toda acredita ser por AIDS por ele ter sido gay. Marc é deixado para morrer no hospital, nas mãos do namorado e de Laurent, o único da família que ainda o visita. A morte do primo faz com que Laurent se rebele, sua vontade de ir à faculdade acabe e suas notas despenquem. Para viver sua independência, e aquietar as reclamações do pai, porém, ele precisa se formar. E precisa de créditos extras para isso, então o diretor lhe consegue um estágio com um pesquisador do governo chamado Cédric.

O filme tem poucos personagens, o que nos dá uma visão bem profunda da trama. Laurent é pirracento e mimado, de certa forma. Carole é paciente, mas também já está esgotada de bancar a namorada falsa do melhor amigo - além disso, é óbvio que ela sente nada menos que amor por ele, talvez em mais de um sentido, e isso atrapalha a vida dos dois de várias formas. Ela é curiosa e se ressente quando Laurent não se abre com ela, inclusive em relação ao impacto que a morte de Marc trouxe para sua vida. O (ex)namorado de Marc é um personagem importante, pois traz uma carga emocional muito densa para o filme e para a vida de Laurent, já que eles se encontram sempre para falar sobre como é difícil ser gay na sociedade em que vivem, e como é difícil sobreviver sem a presença de Marc na vida dos dois.

Então Cédric aparece como um personagem seguro, cheio de si e que enfrenta (quase) todas as adversidades de cabeça erguida. O modo ao mesmo tempo rude e passional conquista Laurent, que não acredita em amor, mas que acaba se apaixonando sem perceber. E isso o deixa nervoso, pois é a primeira vez que ele fica feliz depois de ter se abalado tanto com a história do primo.

A mãe de Cédric é personagem central na trama, pois ela acolhe Laurent como seu próprio filho e lhe mostra um lado que ele não conhece: a dos pais que aceitam seus filhos pelo que são. Por outro lado, Laurent ama os pais e não quer ficar sem eles, mas sabe que se descobrirem sua relação com Cédric, eles o renegarão para sempre, como fizeram com Marc. Mas Cédric não quer voltar para o armário, não quer esconder o que os dois têm, e pressiona o mais novo a apresentá-lo para a família e assumir o namoro.

O conflito do filme é basicamente o de Laurent: contar ou não aos pais que ele e Carole são apenas amigos, que provavelmente eles não terão os netos que querem em casa, e que está apaixonado por Cédric de uma forma que nunca pensou que poderia acontecer.

As atuações são muito boas! Mas os diálogos desse filme são horrorosos, lotados de preconceito e estereótipo. Fiquei bem decepcionada, apesar do cenário, da trama e de todo o resto ser muito bonito. É aquele famoso "bonitinho, mas ordinário", sabe?  Cada vez que os pais de Laurent abriam a boca pra falar alguma coisa, era uma enxurrada de LGBTfobia que não precisamos ouvir mais. Nem pelo filme ser da década de 2000 dá pra dar um desconto - nem pela época, porque eu acho que ele se passa na de 90, não tenho certeza. Além disso, a mãe do Cédric, que seria uma espécie de "alívio" desses comentários, também foi uma enorme decepção no final: o diálogo que ela tem com a mãe do Laurent no café meio que desfaz todo o porte de "mãe acolhedora" que ela tinha... Sério, foi uma decepção atrás da outra...

Pelo menos o final não vai de encontro aos dos outros filmes dessa temática da época (e ainda atuais, infelizmente): não é triste (ninguém morre, aleluia!), só é aberto demais e sem pontuar quase nenhum conflito, só o interno de Laurent, que finalmente aceita seus sentimentos por Cédric. Afinal, não é uma questão de gênero, Apenas Uma Questão de Amor - e essa mensagem positiva do filme é a que tem que ficar mesmo.

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